Lula, a Lava Jato e a classe trabalhadora

Lula, a Lava Jato e a classe trabalhadora

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Mariucha Fontana, da redação O ex-presidente Lula se tornou, pela segunda vez, réu na Lava Jato. O juiz Sérgio Moro aceitou a denúncia do Ministério P...

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Mariucha Fontana, da redação

O ex-presidente Lula se tornou, pela segunda vez, réu na Lava Jato. O juiz Sérgio Moro aceitou a denúncia do Ministério Público Federal (MPF) contra Lula por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Da primeira vez, Lula tornou-se réu quando, no final de julho, a Justiça Federal do Distrito Federal acatou a denúncia, também do MPF, de ter tentado obstruir as investigações da Lava Jato.

A parcialidade da justiça burguesa
O MPF apresentou, no dia 15, a denúncia de maneira bombástica pela televisão. O procurador Deltan Dallagnol apresentou, “por convicção e não provas”, Lula como chefe de uma organização criminosa que teria disputado quatro mandatos com o único objetivo  de roubar o patrimônio público. Na prática, contudo, denunciou três crimes: a reforma do apartamento triplex, no Guarujá, por parte da construtora OAS; o pagamento, pela mesma empreiteira, do transporte dos bens que ele ganhou quando presidente; e palestras feitas  por Lula, cujos pagamentos, de acordo com os procuradores, têm indícios de propinas.

Em julho, não havia base jurídica para a condução coercitiva de Lula ou agressão aos seus direitos individuais. Isso mereceu nosso repúdio. Continuamos repudiando  qualquer conduta arbitrária do MPF. Como já dissemos, o Poder Judiciário não é imparcial. Ele serve aos interesses de bancos e grandes empresas. Isso vale para o STF, o STJ, o TST e o MPF. Vale também para o juiz Sérgio Moro e para o procurador Deltan Dellagnol. Bas ta ver que as investigações de corrupção dos tucanos e dos peemedebistas andam a passo de tartaruga.

Mas daí não podemos entrar nesta conversa do PT e de quase toda a esquerda de que existe um golpe contra o Estado de Direito ou de que a investigação ou condenação de Lula é um ataque à classe trabalhadora. Ou, pior ainda, de que os governos do PT, Lula e demais petistas comprovadamente envolvidos em corrupção só podem ser julgados por uma justiça operária. Ou seja, enquanto os trabalhadores não tomarem o poder, partidos corruptos supostamente de esquerda poderiam viver impunemente? Isso não tem pé, nem cabeça. Nem Lula, que fez um discurso mais uma vez para seus novos amigos ricos, usa um argumento desses. Pelo contrário, de maneira hipócrita, é verdade, disse: “provem uma corrupção minha e eu irei a pé ser preso”.

A aliança que o PT e Lula fizeram com o grande empresariado
PT, Lula e Dilma viraram as costas aos trabalhadores e fizeram alianças com banqueiros, empreiteiros e grandes empresários para governar o Brasil. Deixaram de lado as lutas dos trabalhadores para governar com este Congresso Nacional cheio de corruptos. Governaram para os bancos e grandes empresas, não para os trabalhadores.

O PT, Lula e suas campanhas passaram a ser bancados com dinheiro das grandes empresas. Estabeleceram laços que Lula trata como amizade entre ele e os patrões. Lula e o PT abandonaram a independência que deve ter qualquer organização dos trabalhadores frente aos patrões. Ao fazerem esta escolha, o PT e Lula escolheram também as consequências.

Os trabalhadores não têm motivos para defender Lula
A verdade é que hoje a maior parte da classe trabalhadora vive um processo de ruptura com o PT que, no governo, não fez diferente do PSDB ou do PMDB. O discurso de Lula depois da denúncia do MPF, na televisão, foi uma demonstração disso.

Lula, que um dia marcou a famosa frase sobre os 300 picaretas do Congresso, imortalizada na música dos Paralamas do Sucesso, agora dedicou boa parte de seu discurso à classe dominante, seus partidos e ao Congresso. Conseguiu defender os políticos e atacar os trabalhadores do serviço público: “a profissão mais honesta é a do político. Sabe por quê? Porque todo ano, por mais ladrão que ele seja, ele tem que ir para a rua encarar o  povo, e pedir voto. O concursado não. Se forma na universidade, faz um concurso e está com emprego garantido o resto da vida. O político não”, disse.

Dias depois, no Congresso, políticos do PMDB, PSDB, DEM, PRB e PT tentaram passar uma anistia aos políticos que usaram caixa dois ou receberam dinheiro de propina em eleições passadas.

Prisão e o confisco de bens de corruptos e corruptores
Seria impossível que a burguesia atingisse Lula quando ele ainda tinha o apoio da classe trabalhadora. Nem a ditadura conseguiu isso. Se hoje Lula está na mais completa defensiva e pode acabar preso é porque a maioria da classe trabalhadora rompeu com o governo petista e com o próprio PT.

Os trabalhadores devem seguir defendendo a prisão e a expropriação dos bens de todos os corruptos e corruptores, sejam do PT, do PMDB ou do PSDB.
Originalmente publicado no Opinião Socialista nº 525