12 anos de Ocupação Militar no Haiti

12 anos de Ocupação Militar no Haiti

my-portfolio

Neste 1o de junho, a ocupação da Minustah completa 12 anos no Haiti. Por: Zé Maria – PSTU No amanhecer do dia 1° de junho de 2004, o governo Lula (PT)...

Nota do PSTU em defesa da democracia nos debates
Nosso pesar pela morte do companheiro José Nunes
Olimpíadas Rio 2016: Jogos da desigualdade e violência

Neste 1o de junho, a ocupação da Minustah completa 12 anos no Haiti.

Por: Zé Maria – PSTU

No amanhecer do dia 1° de junho de 2004, o governo Lula (PT) enviou soldados brasileiros ao país mais pobre da América Latina para comandar uma vergonhosa ocupação militar, a pedido dos EUA e da ONU. O discurso para justificar a ocupação era de que se tratava de uma “missão humanitária” com o objetivo de restabelecer a “democracia no país”, controlando a violência e garantindo segurança para a população. No governo Dilma, o discurso foi repetido e a ocupação foi mantida.

No entanto, a cada dia de ocupação ficava evidente que não se tratava de uma “missão humanitária”. O objetivo é de assegurar os interesses das grandes empresas transnacionais instaladas no Haiti. De garantir estabilidade para que estas empresas sigam produzindo e faturando um alto lucro à custa dos salários miseráveis pagos aos trabalhadores haitianos. As tropas foram e ainda são usadas para reprimir qualquer revolta dos trabalhadores contra essa superexploração a que estão submetidos, por multinacionais norte-americanas, francesas, e também brasileiras.

Não é à toa que cada vez mais setores haitianos denunciam a ingerência estrangeira em seu país, o fracasso dos objetivos anunciados pela Minustah e até mesmo o seu papel no agravamento da crise haitiana. Durante mais de uma década, a Minustah foi alvo de denúncias de violações de direitos humanos que vão desde relatos de torturas a estupros cometidos pelos capacetes azuis contra a população. Manifestações foram duramente reprimidas e dirigentes sindicais assassinados. Até mesmo uma epidemia de cólera que assolou o país, infectando 700 mil pessoas e matando outras oito mil, foi fruto da ocupação. Tudo isso permaneceu impune e disfarçado pelo discurso e campanha do governo de “ação humanitária no Haiti”.

Não é à toa que os haitianos, responsáveis pela primeira revolução negra da história, resistem. As recentes mobilizações no país contra o governo e as fraudes nas eleições não só demonstram que a Minustah não ocupa o país para “restabelecer a democracia”, como também que os haitianos estão dispostos a lutar contra a ingerência do imperialismo e os seus aliados no Haiti.

A luta dos nossos irmãos haitianos é também nossa. A ocupação das tropas brasileiras é uma vergonha para o nosso país!