Ajuste fiscal e resistência dos trabalhadores

Ajuste fiscal e resistência dos trabalhadores

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(por Nericilda Rocha) Transcorridos seis meses do governo Camilo Santana (PT) em parceria com os Ferreira Gomes (PROS) e ancorado no governo federal q...

A vida das Trans e Travestis importam!
Contra a privatização da CAGECE, privatizar faz mal ao Ceará!
Terror em Fortaleza revela caos no sistema penitenciário e no combate a violência

(por Nericilda Rocha)

Transcorridos seis meses do governo Camilo Santana (PT) em parceria com os Ferreira Gomes (PROS) e ancorado no governo federal que vê despencar sua popularidade, faz-se necessário uma breve avaliação da administração petista e seus desdobramentos para os trabalhadores cearenses.

O governo Dilma (PT-PMDB) tem deflagrado duríssimos ataques aos trabalhadores para garantir os lucros dos empresários. Vamos ao quinto aumento da tarifa de energia elétrica, há uma escalada do preço dos alimentos, sete aumentos consecutivos da taxa de juros tornando o crédito inacessível, restrições ao seguro-desemprego, PIS, cortes no orçamento público e avanço das privatizações (como a venda dos ativos da Petrobrás), são parte do ajuste fiscal que o PT e a oposição de direita (PSDB e DEM) estão impondo aos trabalhadores e ao povo. Em contrapartida o lucro dos bancos, por exemplo, saltou 42,8% no primeiro trimestre do ano. O Bradesco que indicou Joaquim Levy para ministro da fazenda de Dilma teve lucro de R$ 4,2 bilhões, ou 23,3% a mais que 2015.

Vale recordar que o chefe do PT cearense, José Guimarães, tem papel destacado na aprovação de todos esses ataques visto que é o líder do governo na Câmara.

Orçamento tem corte inicial de R$ 400 milhões

O governador Camilo Santana (PT) segue à risca o ajuste fiscal de Dilma. Já anunciou o corte de R$ 400 milhões no orçamento público de 2015, sendo que R$ 220 milhões foram cortados no primeiro trimestre. O que explica a profunda crise na saúde onde já foram cortados 25% do orçamento e ocorre um festival de terceirizações piorando a qualidade do serviço.

O corte no orçamento também agrava o problema da seca e da segurança pública. Ainda que o governo divulgue dados de redução do numero de homicídio, levantamento do Mapa da Violência 2015 indica que o Ceará tem a terceira maior taxa de assassinatos por armas de fogo no país e é o quarto Estado mais perigoso para negros.

Privatizações avançam

O governador anunciou que passará a iniciativa privada, em regime de concessão (a forma petista de privatizar), setores como o Metrofor, o Centro de Eventos, o Complexo Portuário do Pecém e os aeroportos regionais de Jericoacoara e Aracati. O detalhe é que estas obras já custaram mais de R$ 4 bilhões aos cofres públicos e agora vão engordar os bolsos dos empresários. Na mesma direção o prefeito Roberto Claudio (PROS), aliado de Camilo, comunicou a concessão à iniciativa privada dos terminais de ônibus de integração. Ou seja, reservam a entrega daquilo que restou das privatizações dos governos do PSDB.

Desemprego cresce 7,4%BannerSitePSTU2

Embora o PIB do estado tenha registrado crescimento de 1,05% no primeiro trimestre, quando o PIB nacional foi negativo, há uma redução do ritmo de crescimento da economia cearense. Somado ao anuncio da privatização do complexo do Pecém, as inúmeras obras do PAC paralisadas, a redução de custos na produção em setores como têxteis, confecção e calçados, e o ajuste fiscal, o cenário não poderia ser outro que o início de desemprego no Ceará. Segundo o DIEESE, na Região Metropolitana de Fortaleza o numero de desempregados cresceu 7,4% em junho se comparado com o mesmo mês de 2014. Somente de maio a junho, a População Economicamente Ativa caiu 0,3%, o que representa 5 mil novos desempregados. A Construção foi o setor de variação mais negativa em junho, caindo 6,1%, uma eliminação de 9 mil postos de trabalho.

Inflação e endividamentoFlatDesignPSTUface

Além do desemprego, o custo de vida ficou mais caro. O preço da cesta básica em Fortaleza registrou uma alta de 8,89% no mês de maio, ficando atrás somente de Salvador (10,69%), sendo um dos principais fatores da evaporação do poder de compra dos salários. O DIESSE indica que entre abril de 2014 a maio de 2015, o rendimento médio real dos ocupados apresentou redução de 2,7%, e o dos assalariados, de 1,7%.

O resultado é um elevadíssimo índice de endividamento da população. Em Fortaleza, 68,5% da população está endividada segundo dados da Fecomércio. Desse numero, 45,6% são dívidas para a compra de alimentos, 34,8% eletroeletrônicos, 31,4% artigos de vestuário e 22,% com despesas de educação e saúde.

A resistência dos trabalhadoresbannerSitePSTU3

Os trabalhadores cearenses têm demonstrando enorme disposição de luta contra a perda de direitos e piora de seu nível de vida. Os servidores, da capital e interiores, têm protagonizado greves e mobilizações se enfrentando com a política de corte no orçamento do governo Dilma e Camilo.

Os trabalhadores da indústria da construção civil e rodoviários urbanos protagonizaram quatro meses de mobilizações contra os ataques do governo Dilma e do Congresso Nacional, e tiveram que ir à greve durante sua campanha salarial para conseguir arrancar um reajuste salarial entre 8% e 9,5% respectivamente. O reajuste representa ao redor de 1% a 1,5% de ganho real no contexto da evaporação dos salários frente à inflação.

Para consegui-lo tiveram que enfrentar uma dura repressão e até detenção de dirigente sindical da CSP-conlutas. A repressão e criminalização foram armas dos empresários da construção e proprietários de ônibus para tentar impedir as greves, mas é inegável a cumplicidade do governo estadual.

Se por um lado o governo petista tem garantido os bons negócios para os empresários e seguido à risca o ajuste fiscal, por outro tem buscado controlar os movimentos sociais para que não rompam com o governo. Isso é o que4 explica a criação da pasta de Acolhimento dos Movimentos Sociais com a indicação do vereador e ex-presidente da CUT Acrísio Sena (PT) para tocá-la. Aos que resistem às medidas do governo federal e dos empresários, a resposta é a criminalização. Essas são as duas faces da política de Camilo Santana para os trabalhadores.

Porque não vamos ao 16 de agosto

Como vimos durante os seis meses do primeiro governo petista à frente do estado, o panorama para os trabalhadores e a população não é nada fácil. Ou derrotamos o ajuste fiscal e todos os ataques deflagrados pelo governo e pela oposição de direita, ou retrocederemos mais ainda em nossos direitos e nível de vida.

Mas lutar contra as medidas de Camilo Santana e do governo federal não significa participar da mobilização convocada para 16 de agosto em nível nacional e no estado. Esta mobilização será mais uma daquelas contra o governo e bannerCunhapqno PT, porém com o objetivo de cacifar o PSDB como suposta alternativa. Não tem como propostas derrotar o ajuste fiscal e defender os interesses dos trabalhadores. Os que estão por trás do 16 de agosto querem na verdade o impeachement de Dilma, mas se isso acontecer será o Congresso Nacional que tomará de conta do país. Nós propomos mobilizações independentes do PSDB e Eduardo Cunha. As mobilizações devem ser no campo da esquerda porque somente os trabalhadores que estão sendo atacados pelos governos petistas e também pela direita, têm moral e motivos para mobilizar-se contra todos eles.

Impeachement é a saída para tirar o PT e colocar o PSDB ou PMDB. Os trabalhadores precisam construir sua própria saída, uma alternativa operaria, anticapitalista e socialista para substituir Dilma. Precisamos tomar as ruas com fortes mobilizações, convocar uma greve geral. O desafio para os trabalhadores é sair da falsa polarização PT/PMDB e PSDB pois em ambos blocos estão o empresariado, todos eles aceitam tirar do bolso do trabalhador mas não aceitam reduzir o lucro das empresas e dos bancos nem diminuir o salário dos políticos.

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