Por que Tasso não é independente

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Fábio José C. de Queiroz É possível dizer – depois de assistir ao debate, no domingo último, das candidaturas ao senado, pelo Ceará – que, dificilment...

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Fábio José C. de Queiroz

É possível dizer – depois de assistir ao debate, no domingo último, das candidaturas ao senado, pelo Ceará – que, dificilmente, antes desse episódio, o eleitor cearense teve a oportunidade, com tamanha nitidez, de confrontar o exercício da arrogância, adotado, em escala e proporções nunca vistas, pelo Sr. Tasso Jereissati. Paradoxalmente, a atitude do candidato Tasso traduziu a agonia mental da classe dominante, mas, também, a sua conhecida prepotência.

Para Tasso, com efeito, quem não tem dinheiro, dificilmente, pode adotar atitude de independência política. Essa postura se revela nas próprias palavras do ex-governador. Para ele, a sua fortuna é a garantia de maior independência.

Cabe lembrar, aqui, que o fato de um trabalhador, ou trabalhadora, não amealhar bens e riqueza, não é impeditivo para que adote posições de independência, por exemplo, contra os poderes constituídos e as suas injustiças cotidianas. De feito, por trás dessa visão, em nada satisfatória, se estampa o preconceito de classe, típico dos agrupamentos dominantes.

O fato é que, nos quadros do aristocratismo, que define a política dos partidos dominantes, e de analistas, pouco críticos, a simples referência de Tasso, de que por ser rico, tem a sua “independência” multiplicada, possui o sentido de sentença definitiva e incontestável.

Desse modo, é esquecido que a maioria do senado, inapelavelmente, é constituída de mulheres e homens ricos, e, nem por isso, devemos concluir que a instituição senatorial brasileira é formada, substancialmente, de mulheres e homens independentes.

Mas o candidato Jereissati julga que a sua argumentação tem notável capacidade de convencimento, e, nesse sentido, tem repetido esse mote, exaustivamente; i.e., em completo contraste com a realidade, o candidato a senador insiste em se reclamar independente.

Cabe lembrar a trajetória recente do ex-governador.

Ora, em seus anos à frente do governo do estado, em geral, esteve alinhado, e não independente, com relação ao poder federal. De outro, apesar de se julgar muito poderoso, não conseguiu arrastar o seu partido, não só para apoiar, mas para compor o governo Collor de Melo, que era a sua aspiração. Por causa da crise terminal do governo, o PSDB entendeu que esse gesto continha uma componente suicida. O poderoso, então, se encolheu.

Nessa direção, vale enfatizar que, nos anos 1990, o vendaval neoliberal adentrou o Brasil, e quem lhe estendeu o tapete foi o partido de Tasso, o PSDB, e o ex-senador foi cúmplice desse arrastão privatista e antinacional. Efetivamente, o neoliberalismo foi imposto, de fora para dentro, e o PSDB, parceiro e conivente, foi o seu principal condutor, no plano interno. Onde estava a independência do ex-governador? Perdeu-a nos corredores do Banco Mundial?

Um observador incauto pode esgrimir, em favor do candidato, que, em última análise, ele concordava com o programa aplicado. Então, a vinheta, de que ele é um homem independente, de certo, desaparece da sua biografia. Até porque, a história das classes dominantes brasileiras, nas quais Tasso se insere, é a história da sua subserviência, e não da sua independência, com relação ao capital estrangeiro.

Nessa perspectiva, vale a pena olhar de perto, e saber, qual era o lugar do ex-senador e ex-governador no condomínio governamental tucano. Tasso não era o comandante do governo FHC; no máximo, era um dos seus capitães. Com a saída de cena do PSDB, a sua atuação não era a do senador independente, mas de quem foi empurrado à oposição, pelas novas circunstâncias políticas. Nesse caso, também, não lhe cabe a expressão independente.

Basta tomar, como exemplo, o caso da CPMF, que, nas suas palavras, foi nociva ao País. Visto que era danoso para o Brasil, por que ele ajudou a aprová-la, com o seu expresso apoio? Em que estrela ele escondeu a sua independência? Concordou com a aprovação da medida pelo simples motivo de que a sua agremiação partidária estava no coração do poder. Quando isso mudou, e o seu partido se encaminhou para oposição, ele alterou o seu ponto de vista. Sem dúvida, a CPMF não era a saída para saúde, nem com o PSDB nem com o PT. Depois dela, a saúde pública piorou, as filas aumentaram e o atendimento piorou. O Sr. Jereissati tem aí o seu quinhão de responsabilidade.

Atitude independente: sem dúvida, esse não é um traço das classes dominantes locais. O servilismo, sim. Logo, contemporizar com a jogada de marketing, do Sr. Jereissati, é querer tapar – com a peneira – o sol da história. Essa crítica se estende a sua retórica do capitalismo como sinônimo de democracia, até porque, quando ele esteve à cabeça do governo estadual, a tônica da sua ação sempre esteve perpassada pelo signo da repressão mais brutal contra os movimentos sociais; lição ríspida – e antidemocrática – que os governos, que o sucederam, não deixaram de aprender e aplicar. Que o diga o Sr. Cid Gomes.

Assim expresso, a discussão não deve se apoiar no simplismo, que estabelece que o endinheirado possa exibir maior independência política do que aquele em que a riqueza não está presente. Esse não é o marco da delimitação. Entre nós, a verdadeira linha divisória, em última hipótese, é a que separa o trabalho do capital, a esquerda da direita, o futuro do passado.

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